Com 19 milhões de habitantes, a maior cidade da América Latina tem as virtudes e os vícios de toda metrópole. Apinhada, congestionada, por vezes mal-humorada, pode intimidar os recém-chegados, mas a riqueza de sua história, a efervescência cultural e o profissionalismo dos serviços compensam o esforço de descobrir os segredos da capital financeira, comercial e industrial do país, também uma de suas cidades mais antigas. A Vila São Paulo de Piratininga nasceu em 1554, na colina entre os rios Tamanduatueí e Anhagabaú, onde os jesuítas rezaram a primeira missa no núcleo de catequese que daria origem a construções coloniais, ainda preservadas, na área conhecida como Pátio do Colégio. Um terreno vizinho foi escolhido 35 anos depois, para erguer a Igreja Matriz, que até 1911 ocupava o largo – hoje praça – da Sé, quando foi demolida para que se iniciassem as obras da Catedral da Sé. Foi a partir desse ponto geográfico – o marco zero do município – que a vila virou cidade, impulsionada pela expansão cafeeira do final do século 19 e pela industrialização consecutiva. O centro urbano no entorno da praça da Sé se expandiu em direção à República, e o Viaduto do Chá, inaugurado em 1892, tornou-se o elo entre o “centro velho” e o “centro novo”, que passou a concentrar a elite paulistana, frequentadora do recém-inaugurado Teatro Municipal. O afluxo dos imigrantes europeus e asiáticos das primeiras décadas do século 20 deu caráter cosmopolita à cidade, que começava a transferir seu centro para a moderna Avenida Paulista, mais tarde consolidada como centro de cultura e negócios. Surgiram os bairros operários, predominantemente italianos, como a Mooca, o Bixiga e o Brás, e os centros comerciais fundados por imigrantes árabes e judeus, como a Rua 25 de março e o Bom Retiro, além da japonesa Liberdade. A migração interna, intensificada pelo desenvolvimento econômico das décadas seguintes, enriqueceu o caldo cultural, contribuindo para a fascinante diversidade paulistana.
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Avenida Paulista
Símbolo da São Paulo contemporânea, o coração financeiro e empresarial da capital paulista é também um centro de arte e entretenimento, com dezenas de cinemas, centros culturais, museus, livrarias, restaurantes e até um parque, o Trianon, inaugurado em 1916. O belvedere do parque foi derrubado em 1950 e deu lugar ao consagrado MASP – Museu de Arte de São Paulo, que guarda um importante acervo e promove exposições temporárias de artistas de renome. O prédio, em si, é uma obra de arte, assinada pela arquiteta Lina Bo Bardi. (www.masp.uol.com.br)
Consulte também a programação de exposições, teatro e eventos de outros centros culturais da Paulista, todos próximos a estações do metrô:
Casa das Rosas: www.casadasrosas.sp.gov.br
SESC Paulista: www.sescsp.org.br
Itau Cultural: www.itaucultural.org.br
Centro Cultural Fiesp e Teatro Popular do Sesi: www.sesisp.org.br
Pinacoteca e Jardim da Luz
Em um prédio de 1900, projetado para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios, funciona a Pinacoteca do Estado (www.pinacoteca.org.br), um dos mais importantes museus de arte do país. A coleção abrange a história da pintura brasileira dos séculos 19 e 20, com obras de Cândido Portinari, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e outros artistas importantes. Localizado no imenso terreno do Jardim da Luz, o museu integra-se ao parque através de suas varandas e janelas laterais, e de um café externo; também ocupa um antigo prédio do Dops, com a Estação Pinacoteca, dedicada a exposições de arte contemporânea brasileira, e o Memorial da Resistência, que conserva as celas dos presos políticos da ditadura militar. Aproveite para visitar o Museu da Língua Portuguesa, dentro da Estação da Luz, com exposições temáticas interativas sobre grandes autores do idioma. (www.museulinguaportuguesa.org.br)
Estação Julio Prestes – Sala São Paulo
No majestoso hall da antiga estação, restaurada na década de 1990, foi construída a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp. Com 984m2 e 1.500 lugares, a sala de concertos tem uma das melhores acústicas do mundo e um forro móvel que permite manejar o volume e o tempo de reverberação do som, adequando-os a cada tipo de concerto. Oferece concertos matinais a preços populares. (www.salasaopaulo.art.br)
Parque da Independência (Museu do Ipiranga)
Às margens do histórico córrego do Ipiranga fica o Parque da Independência, que abriga o Museu Paulista da Universidade de São Paulo – mais conhecido como Museu do Ipiranga –, a Casa do Grito e o Monumento à Independência, de autoria do italiano Ettore Ximenez. Um jardim projetado em estilo francês une os edifícios do local, que conta ainda com um viveiro de plantas e um museu de zoologia. O acervo do museu é composto de objetos, mobiliário e obras de arte relacionadas ao período da Independência, entre elas o quadro de 1888 do artista Pedro Américo, Independência ou Morte, que retrata a cena do grito de Pedro I. (www.mp.usp.br)
Parque do Ibirapuera e seus museus
Com 1,6 milhão de metros quadrados, o Parque do Ibirapuera é o refúgio favorito de nove entre dez paulistanos; nos fins de semana, milhares de pessoas circulam pela área de lazer projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo paisagista Burle Marx. O parque tem quatro lagos, pistas de cooper, quadras poliesportivas, viveiro de plantas, playgrounds, planetário, praça de modelismo e uma marquise coberta que liga os prédios principais, utilizada por patinadores e ciclistas. Entre as atrações culturais, oferece diversos centros de arte e cultura, como o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro-Brasileiro, o Pavilhão da Bienal e a fantástica Oca, pavilhão de exposições que lembra uma calota com escotilhas, imaginado por Niemeyer. (www.parqueibirapuera.com.br e www.auditorioibirapuera.com.br)
Pátio do Colégio e Praça da Sé
O burburinho de artistas de rua, pregadores religiosos e camelôs é suavizado pelo projeto arquitetônico, que divide o amplo espaço da Praça da Sé em patamares, com fontes, chafarizes e canteiros. A catedral domina a paisagem, rodeada por ruas comerciais e calçadas apinhadas. Do lado oposto da igreja fica o Largo do Pátio do Colégio, um oásis de tranquilidade. Há visitas monitoradas para conhecer a Igreja Beato José de Anchieta, o Museu Anchieta, a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca Padre Antonio Vieira. O Café do Pateo, um ambiente agradável do lado externo, serve refeições leves e lanches. (www.pateodocollegio.com.br)
Teatro Municipal
Em 1911, nada menos que 20 mil pessoas disputaram os ingressos da ópera “Hamlet” na inauguração do teatro, que integrou a capital paulista ao roteiro internacional dos grandes espetáculos. Por seu palco passaram grandes nomes do balé, da ópera, da música erudita, do jazz, e as apresentações dos corpos estáveis – a Orquestra Sinfônica Municipal, a Orquestra Experimental de Repertório, o Balé da Cidade de São Paulo, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, o Coral Lírico e o Coral Paulistano – são acessíveis e de boa qualidade. Confira no site da prefeitura (www.prefeitura.sp.gov.br) se o teatro, em reforma, estará aberto na data de visitação. (Praça Ramos de Azevedo, s/n; tel. 011 3397-0300 / bilheteria 011 3397-0327)
Mercado Central e 25 de março
Construído em 1933 na várzea do rio Tamanduateí, o Mercadão atrai donos de restaurantes e gourmets em busca de ingredientes culinários, bons vinhos e queijos, e é uma linda construção, totalmente restaurada, com belos vitrais e uma área gastronômica muito disputada, especialmente pelo famoso sanduíche de mortadela. Todo o entorno do Parque Dom Pedro II, onde se localiza o mercado, é ocupado por ruas comerciais, sendo a mais conhecida delas a Rua 25 de março. Fundada por imigrantes árabes, ela se destaca pela variedade de mercadorias a baixos preços e pela deliciosa comida árabe, degustada em restaurantes modestos. (www.mercadomunicipal.com.br e www.25demarco.com.br)
Centro Cultural Banco do Brasil
Localizado no coração histórico da cidade, em uma área só para pedestres, o edifício, construído em 1901, é um dos exemplos mais significativos da arquitetura do início do século. Inteiramente reformados de acordo com as regras do Condephaat, os cinco andares do prédio – mais de 4.000m2 – abrigam salas de exposição, cinema, teatro, auditório, loja e cafeteria. (www.bb.com.br/cultura)
Terraço Itália e o centro novo
Localizado na esquina das avenidas Ipiranga e São Luiz, o Edifício Itália, com 165m de altura e 46 andares, era o ponto mais alto da cidade quando foi inaugurado, em 1965, e até hoje é uma ótima pedida para contemplar o pôr do sol. Cuidado com o restaurante, caro e irregular. Melhor é tomar um drinque ao som do piano no bar envidraçado, depois de caminhar pelas ruas e avenidas do centro novo, ligado ao centro velho pelo Viaduto do Chá, sobre o Vale do Anhagabaú – hoje uma linda e extensa praça onde acontecem comícios e espetáculos artísticos. É também aqui que fica o atual recordista em altura, o edifício Mirante do Vale, com 170m. (www.terracoitalia.com.br)
O bairro da Liberdade
É na Liberdade que se concentra a maior comunidade japonesa fora do Japão, hoje também o lar de coreanos e chineses. Localizada entre a Praça da Sé e a várzea do Carmo, a Liberdade tem lojas com produtos típicos, escolas de artes marcias, templos budistas e inúmeros restaurantes onde se degusta o melhor da culinária japonesa, além de uma feirinha deliciosa aos domingos. O Museu da Imigração Japonesa reúne objetos, documentos, fotos e livros sobre a vinda dos japoneses e sua adaptação ao Brasil. (www.nihonsite.com)
Feiras nas praças (Benedito Calixto, Bixiga, República)
Mais do que centros comerciais, em uma cidade já repleta deles, as feiras de rua de São Paulo são áreas de lazer, onde se come e bebe ao som do samba e do chorinho, enquanto se vasculham barracas em busca de uma armação de óculos antiga, um abajur charmoso, um brinquedo que faz lembrar a infância. A mais antiga e interessante é a Feira de Arte e Artesanato da Praça da República (Estação República, centro), um dos pontos de maior circulação do centro novo, com 600 barracas de artesanato e culinária e muitos pintores que trabalham nas ruas, além de músicos e artistas circenses. Já a Feira do Bixiga (Praça Dom Orione) atrai pelos objetos de decoração e antiguidades e oferece doces e salgados italianos. Ambas acontecem aos domingos, durante o dia todo. No sábado, a melhor opção é a Feira da Benedito Calixto (Pinheiros), que vende de tudo e é a preferida da juventude.
Noite paulistana
De segunda a segunda a noite paulistana ferve, oferecendo atrações para todos os gostos e públicos. Para não se perder entre tantas opções, o ideal é escolher a balada pelo som que se pretende ouvir – do rock ao forró, do samba à música eletrônica – consultando a programação dos cadernos culturais dos jornais e revistas semanais. Na internet, portais como www.noitedesaopaulo.com.br e www.baladacerta.com.br trazem informações atualizadas sobre os eventos móveis e os endereços das casas noturnas. Outra boa dica para quem pretende “se jogar na noite”, como dizem os paulistanos, é delimitar uma região para o programa: a Rua Augusta, no trecho que vai da Avenida Paulista ao centro, é atualmente a balada mais descolada, com bares e clubes GLS misturados às antigas casas de prostituição. As ruas nobres dos Jardins – Haddock Lobo, Bela Cintra, Oscar Freire e Lorena –, a Vila Olímpia e o Itaim concentram as casas mais sofisticadas; e a Vila Madalena, as alternativas.
Happy hour na Vila Madalena
O antigo bairro português foi invadido pela juventude universitária com a transferência do campus da USP para o Butantã, nos fins dos anos 1960. Os quintais com casinhas alugadas viraram repúblicas estudantis, os bares se multiplicaram e surgiram as produtoras de cinema e vídeo, as galerias e ateliês de arte, as lojas da moda. Embora a noite seja o ponto alto da Vila, vale a pena passar a tarde pelas ruas, descobrindo objetos de arte e decoração, bebericando nos cafés, folheando livros nos sebos e livrarias. Para fechar com chave de ouro, um chope no fim da tarde ao som de chorinho, samba, jazz. Para visitar os ateliês, consulte www.mapadasartes.com.br. Já as choperias se concentram nas ruas Fidalga e Aspicuelta (www.guiadavila.com).
Futebol
São Paulo é lar de três dos mais conhecidos e vencedores clubes de futebol do país – Corinthians, Palmeiras e São Paulo. O Corinthians, time de maior torcida, faz suas partidas no estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em cuja entrada principal está instalado o imperdível Museu do Futebol (www.museudofutebol.org.br), o primeiro do país, inaugurado em 2008. O Palmeiras tem seu próprio estádio, o Palestra Itália (conhecido como Parque Antarctica), também localizado na zona oeste da capital paulista. O estádio do São Paulo, o Morumbi, na zona sul, é um dos maiores do Brasil, com capacidade para cerca de 70 mil torcedores.
Fasano
(Rua Vitório Fasano, 88 (Hotel Fasano); tel. 011 3062-4000; www.fasano.com.br)
Alta gastronomia italiana.
D.O.M
(Rua Barão de Capanema, 540; tel. 011 3088-0761; www.domrestaurante.com.br)
O templo do chef Alex Atala.
Aizomê
(Alameda Fernão Cardim, 39; tel. 011 3251-5157)
Alta gastronomia japonesa.
Arábia
(Rua Haddock Lobo, 1397; tel. 011 3064-4776; www.arabia.com.br)
Culinária árabe.
Rubayat (Alameda Santos, 86; tel. 011 3170-5100; www.rubayat.com.br)
Carnes de primeira. Na filial, a Figueira Rubayat, cardápio variado e cenário cinematográfico.
Don Curro
(Rua Alves Guimarães, 230; 011 3062-4712; www.doncurro.com.br)
Culinária espanhola.
Mani
(Rua Joaquim Antunes, 210; tel. 011 3085-4148; www.restaurantemani.com.br)
Cozinha contemporânea.
Famiglia Mancini (Rua Avanhadava, 81; tel. 011 3256-4320; www.famigliamancini.com.br)
Localizado em uma rua fechada do centro, é familiar e turístico.
Spot
(Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72; 3283-0946; www.restaurantespot.com.br)
É um lugar para ver e ser visto.
Mestiço
(Rua Fernando de Albuquerque, 277; 011 3256-3165; www.mestico.com.br)
Culinária contemporânea e público GLS.
La Casserole
(Largo do Arouche, 346; tel. 011 3331-6283; www.lacasserole.com.br)
Bistrô francês tradicional em frente às bancas de flores do largo.
Além das opções já citadas, como o centro comercial da Rua 25 de março e as lojas de decoração e arte da Vila Madalena (localizadas principalmente nas ruas Aspicuelta, Girassol e Harmonia), merece destaque o comércio dos Jardins, o mais sofisticado da cidade fora dos shoppings Iguatemi e Cidade Jardim. Além de lojas de roupas e acessórios de grifes famosas, concentradas na Rua Oscar Freire, recentemente transformada em um belo bulevar de calçadas largas, a região tem os mais requintados cabelereiros, cafés, tabacarias e lojas de produtos para casa.
A Lôca
(Rua Frei Caneca, 916; tel. 011 3159-8889; www.aloca.com.br)
Templo da música eletrônica e do “modelão”; público GLS.
Bourbon Street Music Club
(Rua dos Chanés, 127; tel. 5095-6100; www.bourbonstreet.com.br)
Para beber até altas horas, ouvindo blues ao vivo.
Avenida Club
(Avenida Pedroso de Moraes,1036; tel. 011 3814-7383; www.avenidaclub.com.br)
Para casais que gostam de dançar no estilo gafieira.
Clube Glória
(Rua Treze de Maio, 830; tel. 011 3287-3700; www.clubegloria.com.br)
Animadíssimo, com festas e noites de hip-hop.
Bar Brahma
(tel. 3333-0855; www.barbrahmasp.com)
Antigo e situado na famosa esquina das avenidas Ipiranga e São João, oferece shows ao vivo.
Filial
(Rua Fidalga, 254; tel. 011 3813-9226)
O melhor chope da Vila Madalena, servido em mais duas casas do mesmo proprietário, o Genésio, em frente, e o Genial, na Rua Girassol.
Salve Jorge
(Rua Aspicuelta, 544; tel. 011 3107-0123; www.barsalvejorge.com.br)
Esta concorrida choperia também tem filial do centro (Praça Antôno Prado, 33). É muito animada na happy hour.
Bar Leo
(Rua Aurora, 100; tel. 3221-0247; www.barleo.com)
No centro, o mais tradicional chope da cidade.
Parcele com cartões de crédito
Rua Dr. Rubião Junior, n º 84 - Shopping Centro, Sala 71
São José dos Campos - SP
Avenida São Luís, 187 - 2 ª Sobreloja, loja 24
São Paulo - SP
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