Sexta cidade mais populosa e quarto PIB do país, com cerca de 2,5 milhões de habitantes (5,5 milhões na área metropolitana), Belo Horizonte se tornou capital do estado de Minas Gerais em 1897, para suceder Ouro Preto, e nasceu da prancheta do engenheiro Aarão Reis. Foi a primeira cidade planejada no Brasil e, nos primeiros anos, quando sua população era de apenas 25 mil pessoas, deveria se limitar à área circunscrita pela avenida do Contorno. Porém, ao longo do tempo, o rápido e desordenado crescimento rompeu esse limite, e a área urbana passou a ocupar até mesmo as encostas da serra do Curral. Contudo, muitas das características que definem o estilo de vida dos mineiros se mantiveram preservadas em um século de acelerada expansão. Em alguns aspectos, apesar do trânsito complicado e dos problemas comuns às metrópoles, Belo Horizonte ainda conserva o ar de cidade do interior – na cordialidade, na fala descansada, na boa vizinhança, na hospitalidade e na tradição de sua cozinha de tropeiro. Esse ar bucólico combinou bem com os traços de modernidade implantados por governantes como Juscelino Kubitschek, que foi governador de Minas antes de se tornar presidente do Brasil e abriu espaço para a revolucionária arquitetura de Oscar Niemeyer, visível em prédios públicos e residenciais e, acentuadamente, no conjunto da Pampulha. A moderna Belo Horizonte é dinâmica, propícia para negócios e lazer e aberta às mudanças – desde que as conversas passem por um de seus célebres botecos e seus irresistíveis tira-gostos.
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Pampulha
Há quem afirme que a Pampulha projetada em Belo Horizonte por Oscar Niemeyer é o melhor trabalho do mais conhecido arquiteto brasileiro. De fato, a delicadeza do conjunto encomendado pelo então governador Juscelino Kubitschek contém a essência da arte em concreto de Niemeyer, representada principalmente pela suavidade das curvas que compõem a igreja de São Francisco de Assis e pela rampa ondulada da marquise da Casa do Baile, hoje local de exposições. O antigo cassino se transformou no Museu de Arte da Pampulha. Na época de sua urbanização, na década de 1940, o bairro era uma área desabitada, ocupada por matas, bem diferente do núcleo movimentado de hoje. Também colaboraram para o sucesso do projeto os jardins e o paisagismo de Burle Marx e os maravilhosos painéis de azulejo que Cândido Portinari pintou na igrejinha. Atualmente, na margem da grande lagoa funcionam alguns dos melhores restaurantes de Belo Horizonte.
Mineirão
Construído para receber até 130 mil torcedores, na Pampulha, o Estádio Governador Magalhães Pinto foi inaugurado em 1965 com um jogo em que a seleção mineira derrotou o River Plate, da Argentina, por 1 a 0, e nos anos seguintes projetou os dois principais times da cidade – Atlético e Cruzeiro – entre os melhores do país. Ao lado fica o ginásio Mineirinho, inaugurado em 1977 e palco de grandes shows e partidas das seleções brasileiras de vôlei (Avenida Antônio Abrahão Caram, 1.001, Pampulha, tel. 31 499-1100, aberto à visitação das 8h às 18h diariamente; www.ademg.mg.gov.br)
Parque Municipal
Em pleno centro da cidade e ao longo de sua principal avenida, a Afonso Pena, o Parque Municipal Américo Renné Gianneti tem área de 180 mil m² e fez parte do planejamento da capital. Projetado pelo arquiteto francês Paul Villon, foi inaugurado em 1897. Além de um lago que se estende por vários canais, possui parques de diversões, trenzinho e mais de 400 espécies de árvores. Aqui também funcionam o Teatro Francisco Nunes e o Palácio das Artes, e em seus espaços livres sempre se realizam concertos e outros espetáculos gratuitos.
Botecos
Segundo os mineiros, Belo Horizonte é a capital brasileira dos botecos. Exagero à parte, já que é forte a concorrência de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, não há como negar que o hábito de sentar a uma mesa com amigos para beber e petiscar o melhor da baixa gastronomia ganhou estilo próprio em terras mineiras. Dos mais simples aos moderninhos, cada um desses bares tem um prato diferente, de “receita própria”, e o que nunca falta para acompanhar são as centenas de rótulos da cachaça mineira, tão famosa quanto os botecos.
Cidades históricas
Quem vai a Belo Horizonte não pode deixar de reservar um ou mais dias para visitar os tesouros existentes em cidades declaradas Patrimônios Históricos da Humanidade, como Diamantina, Congonhas e Ouro Preto, esta a capital do estado até o fim do século 19. Aninhadas nas encostas de montanhas e repletas de igrejas, muitas delas com obras de Aleijadinho e outros mestres do barroco mineiro, são bem-preservadas e atraem multidões de turistas, assim como São João Del Rei, Sabará, Mariana e Tiradentes.
Praça da Liberdade
O lugar mais europeu de Belo Horizonte, abriga a sede do governo do estado, jardins, coreto e dois prédios projetados por Oscar Niemeyer, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa e o Edifício Niemeyer, com ondulações que fazem lembrar as linhas das montanhas mineiras.
Savassi
O bairro que se espalha em torno da praça da Savassi tem o maior número de bares e restaurantes por metro quadrado da cidade, com grande afluência de jovens e agitada vida noturna.
Zoológico
Fundado há meio século, na Pampulha, o zoológico de Belo Horizonte abriga, além de 1.200 animais de 250 espécies, um jardim japonês, um jardim botânico com 3.000 plantas e muitas outras atrações para crianças e adultos. (Av. Otacílio Negrão de Lima, 8.000, Pampulha; www.pbh.gov.br/zoobotanica)
Museu Mineiro
Instalado num prédio do século 19, enfatiza as obras de arte que representam o processo de consolidação da cultura mineira. (Av. João Pinheiro, 342, Funcionários, tel. 31 3269 1168; www.cultura.mg.gov.br/museus)
Mercado Central
De animais a alimentos e roupas, as 400 lojas deste mercado vendem de tudo – sem contar os botecos que servem os irresistíveis petiscos mineiros e as inumeráveis marcas de cachaça. (Av. Augusto de Lima, 744, Centro; www.mercadocentral.com.br)
Praça do Papa (Mangabeiras)
O nome oficial é praça Israel Pinheiro, mas todos a chamam de Praça do Papa desde 1980, quando serviu de palco para que João Paulo II abençoasse a cidade. Proporciona uma das melhores vistas de Belo Horizonte e da serra do Curral.
Avenida Afonso Pena
Principal eixo da área central da cidade, a avenida interliga vários bairros e concentra em seu entorno algumas de suas principais atrações, que se irradiam da praça Sete. Aos domingos, abriga uma movimentada feira de artesanato.
Museu de Artes e Ofícios
Espaço cultural dedicado ao trabalhador, preserva objetos, instrumentos e utensílios de trabalho do período pré-industrial brasileiro. (Praça Rui Barbosa, Centro; www.mao.org.br)
Palácio das Artes
Anexo ao Parque Municipal, este centro de cultura mantém uma interessante programação de música clássica, ópera, dança, teatro, cinema e artes visuais. (Av. Afonso Pena 1.537, Centro, tel. 31 3236-7400; www.palaciodasartes.com.br)
Edifício Maleta
As galerias deste prédio residencial e comercial acumulam história e folclore da boemia mineira. Apartamentos convivem com lojas, botecos e restaurantes que varam a madrugada. (Av. Augusto de Lima, 233, Centro; www.edificiomaleta.com.br)
Xapuri (Rua Mandacaru, 260, Pampulha, tel. 31 3496-6168;
www.restaurantexapuri.com.br)
Tem a fama de servir a melhor comida mineira da cidade, com um excelente cardápio de pratos e doces típicos. Lota nos fins de semana.
Dona Lucinha (Rua Padre Odorico, 38, São Pedro, tel. 31 3227-0562 www.donalucinha.com.br)
Cozinha tradicional mineira, com receitas caseiras que remontam ao século 18.
A Favorita (Rua Santa Catarina, 1.235, Lourdes, tel. 31 3275-2352)
Figura na lista dos melhores da cidade e fica cheio no fim da tarde.
Café Palhares (Rua Tupinambás, 638, Centro, tel. 31 3201-1841; www.cafepalhares.com.br)
Aberto em 1938, já foi reduto da boemia e da intelectualidade mineira. Serve o prato feito mais famoso da cidade: o Kaol, iniciais de cachaça (trocando o “c” pelo “k”, “para dar mais pompa ao prato”, segundo os responsáveis pelo restaurante), arroz, ovo e linguiça.
Cantina do Lucas (Av. Augusto de Lima, 233, loja 18, Centro, tel. 31 3226-7153; www.cantinadolucas.com.br)
Tombado como Patrimônio Histórico da cidade, o bar fica na galeria do Edifício Maleta, aberto a noite inteira.
Casa Cheia (Av. Augusto de Lima, 744, box 167, Centro, tel. 31 3274-9585)
No interior do Mercado Central, sempre lotado, serve petiscos que não se encontram em nenhum outro lugar.
Nas últimas décadas a moda mineira ganhou prestígio nacional e estilo próprio, e a maioria dos estilistas e confecções está em Belo Horizonte. Alguns sites, como www.modaminas.com e www.guiadecomprasbh.com.br agrupam inúmeras lojas e centros de compra. Também há bons shopping centers, entre os quais o Pátio Savassi (Avenida do Contorno, 6.061, Funcionários), BH Shopping (rodovia BR 356, 3.049, Belvedere), Minas Shopping (Av. Cristiano Machado, 4.000, União) e Shopping Jardim (Rua Iraí, 235, Cidade Jardim).
Na Savassi, encontram-se lojas que vendem grifes famosas. Para produtos populares e típicos de Minas, com destaque para a cachaça, o melhor lugar é o Mercado Central (Av. Augusto de Lima, 744, Centro). Há também muitas lojas que vendem peças de artesanato mineiro, encontradas também na Central de Artesanato do Sesc (Rua Tupinambás, 956, Centro) e no Centro de Artesanato Mineiro (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro), entre vários outros locais.
Bares da Savassi e de Lourdes
As imediações da avenida Getúlio Vargas, assim como as ruas do bairro de Lourdes, são ponto de concentração de jovens que buscam diversão noturna.
Clube da Esquina (Rua Sergipe, 146, Funcionários, tel. 31 3222-5712)
Num casarão de 1902, ocupa o lugar onde funcionou a primeira cervejaria de Minas, a Rhenânia, e era ponto de encontro de artistas como Milton Nascimento.
A Obra (Rua Cláudio Manoel, 296, Funcionários; www.aobra.com.br)
Bar dançante em que predominam o rock e o pop contemporâneo, com DJs e shows ao vivo de bandas mineiras.
Villa Lounge (Rua Gonçalves Dias, 2.010, Lourdes, tel. 31 8764-1541)
Em dois andares, tem DJs residentes e shows ao vivo de samba, pop e rock.
Armazzem 841 (Av. dos Andradas, 841, Centro, tel. 31 3224-1069)
Funciona em um casarão tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural e apresenta, de quinta a domingo, shows em diversos estilos. Consulte a programação.
Bar 222 (Rua Francisco Deslandes, 222, Anchieta, tel. 31 3287-7712)
Bar com bons petiscos, costuma apresentar shows de jazz às quintas-feiras. Durante o dia, divide o espaço com um salão de beleza.
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